Defesa Civil completa 33 anos

Três décadas de conquistas, histórias e projetos

Quarta-Feira, 10/07/2013 | .

Em 1980, onde hoje funciona a sede da Secretaria Especial de Defesa Civil e Trânsito, apenas uma dezena de funcionários trabalhavam num terreno sem construção, com uma estrutura mínima. Na terça-feira, dia 9 de julho, 33 anos depois, o local abriga dois prédios, cem funcionários e uma estrutura bem mais adequada para a realidade. Apesar da diferença, uma coisa não mudou ao longo de mais de três décadas: a incansável missão de preservar e salvar vidas.

De lá para cá, os dedicados funcionários foram capacitados, houve fortes investimentos em infraestrutura e, principalmente, programas de prevenção foram criados e implementados.

TRAGÉDIAS

Os agentes operacionais aprenderam, muitas vezes, na dor, como no caso das duas maiores tragédias enfrentadas pelo município. Em dezembro de 2002, uma tromba d´água caiu no Areal, e uma forte chuva atingiu diversos bairros, matando 40 pessoas. Já no Réveillon de 2009 para 2010, depois de mais de três dias consecutivos de chuva forte, moradores do Morro da Carioca e turistas que estavam numa pousada no Bananal, Ilha Grande, viram de perto as consequências de um desastre. Naquele ano, Angra dos Reis contabilizou 53 mortes.

Nos dois casos, agentes da Defesa Civil foram os primeiros a chegar. Muitas vezes, sem nem saber onde estavam pisando, literalmente, e o que existia a sua frente. Madrugada, chuva forte e ausência de luz eram o cenário. Coragem, dedicação e amor ao próximo eram o que movia os agentes.

Em 2002, por exemplo, os agentes que estavam de plantão naquela noite saíram da base para atender a um chamado de alagamento. Ao chegar ao local, a equipe se dividiu. O caminhão foi usado para resgatar dezenas de moradores. Um dos agentes viu uma cena inesquecível.

- Achamos um homem delirando, andando pela lama, e gritando: "Desculpe, eu tentei, mas não consegui". Depois, encontramos o filho dele, que tinha cerca de oito anos, morto nos escombros. A desculpa que ele pedia era para o filho, que ele segurava pelas mãos, na hora da tromba d´água. Mas, infelizmente, ele não conseguiu salvar - afirmou o agente, que pediu para não ser identificado.

Em 2010, teve quem viveu sua primeira tragédia, a agente operacional da Defesa Civil, Thaís Reis. Ela foi admitida em 2004 e lembra com clareza cada dia que passou no abrigo onde ficaram principalmente os moradores do Morro da Carioca, bairro mais atingido pela chuva.

- Lembro de uma família inteira descendo somente com a roupa do corpo. O desespero de quem vinha, correndo e gritando que o morro estava caindo - disse Thaís.

Durante 25 dias de trabalho, no mesmo abrigo, a agente operacional viu de perto as dores de quem passou pelo pior. Ela não esquece de um rapaz que queria ficar com um coelho dentro do abrigo e de uma mãe que não poderia voltar para a sua terra natal, porque perdeu a certidão de nascimento do filho de dois anos.

AS CONQUISTAS

Em 1991, a Defesa Civil começou um serviço pioneiro no município, o de atendimento aos ilhéus. Em qualquer parte da Ilha Grande e demais ilhas, quem precisasse de um atendimento médico, era socorrido pelos agentes da Defesa Civil. Os mais graves eram levados para a Santa Casa de Angra.

Anos depois, a secretaria foi além, ao implantar o Centro de Monitoramento por câmeras. O mecanismo foi mais um braço para o monitoramento de áreas de risco. Ao visualizar possibilidades de alagamento ou deslizamento, os agentes são acionados antes mesmo do morador entrar em contato. De janeiro de 2012 até hoje, esse sistema tem sido uma importante ferramenta também no monitoramento do trânsito, pasta agregada a Defesa Civil em julho de 2011.

Com as ocorrências das chuvas de 2002 e de 2010, o município recebeu dois mapeamentos de áreas de risco. Outra ferramenta que, adicionada ao conhecimento técnico da equipe de Engenheira, tem sido utilizada para a elaboração de programas de prevenção e para a Secretaria de Obras determinar intervenções em algumas áreas para mitigar o risco.

Outro serviço pioneiro, que acontece neste momento, é a recuperação do Cais da Lapa. Interditado parcialmente pela Defesa Civil em março deste ano por problemas estruturais. É a própria Defesa Civil quem recupera o local. Por ser de difícil acesso, já que os problemas começam debaixo d´água, mergulhadores especializados recuperam a estrutura de baixo pra cima. Eles chegam a ficar mais de uma hora por dia debaixo d´água para fechar as crateras formadas pelo tempo e pelo mar e, assim, tornar o local seguro para os passageiros que usam o cais para embarque e desembarque.

A última conquista da secretaria foi a aquisição, por meio do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), de 10 pluviômetros semiautomáticos, que irão substituir os manuais.

Na prevenção, a Defesa Civil atua em diversas vertentes. Além do investimento em voluntários, há também os programas "Amigo da Criança" e o "Sistema de Alerta e Alarme Comunitário", que são destaques. O primeiro, incentiva às crianças a, desde cedo, ter noção de cidadania e prevenção individual.

O Alerta e Alarme é uma ferramenta fundamental de prevenção. Um dos pontos desse programa é o envio de mensagens de texto para os celulares dos moradores de área de risco quando existe possibilidade de tempos severos, deslizamento ou alagamento. A Defesa Civil realiza constantes treinamentos nas comunidades mapeadas para que os moradores estejam aptos a agir em uma situação real.

A ATUAL GESTÃO

Desde janeiro de 2013, o secretário especial de Defesa Civil e Trânsito é o funcionário de carreira Marco Antônio de Oliveira Santos.

- O que mais me orgulha nessa instituição é ver que a Defesa Civil de Angra dos Reis é referência nacional. Os nossos profissionais são técnicos gabaritados e são capacitados constantemente. Além disso, primamos pelo investimento em trabalhos preventivos como o Sistema Alerta e Alarme. Trabalhamos, também, em concordância com a Política Nacional de Defesa Civil e buscamos à exaustão a excelência no atendimento à população - disse Oliveira.

PROJETOS FUTUROS

Fazem parte dos planos da secretaria a ampliação do Centro de Monitoramento, que hoje conta com 54 câmeras instaladas no lado Oeste e Central. O projeto consiste em aumentar para 120 o número de câmeras e na instalação de fibra ótica para o lado Leste e Ilha Grande, além de ampliar os locais já existentes. Essa tecnologia será usada por toda a prefeitura para interligar outros serviços.

O morador vai poder, por exemplo, marcar consulta por telefone ou internet e o sistema de prontuários será interligado em todas as unidades de saúde.

Além disso, para deixar completo o programa Alerta e Alarme, serão instaladas sirenes, marégrafo e linígrafo, aparelhos que medem o limite da maré e a altura do rio, evitando, assim, que a população seja pega de surpresa quando a maré encher e houver alagamentos.

Outra inovação tecnológica são as estações totais robotizadas no monitoramento de movimentações de terreno. A estação é instalada num ponto com visibilidade para as áreas a serem monitoradas, e prismas refletores são instalados nos pontos de monitoramento. O equipamento faz leituras periódicas dos prismas e identifica qualquer movimentação (em milímetros).

Defesa Civil: 33 anos defendendo e preservando o seu bem mais precioso, a vida.

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