A Fundação Cultural de Angra (Cultuar), apoiando o projeto Consciência Ampla Cultural, está possibilitando para a população da cidade quatro dias de muita arte, leitura e cultura popular gratuitas no Centro de Estudos Ambientais (CEA). O evento acontece até a tarde de domingo, 7. Na noite de ontem, Martinho da Vila e Toni Garrido foram as estrelas superlotando o auditório do CEA e realizando um diálogo riquíssimo com o público sobre cultura, a necessidade de se combater o racismo, e as experiências vividas por eles, que são dois ícones do cenário musical de diferentes gerações mas que têm muitas histórias comuns em suas trajetórias.
O bate-papo fluiu com bastante naturalidade e graça, com direito a canções cantoraladas com o público. Os convidados deixaram toda a plateia extasiada contando suas histórias e suas impressões sobre diversas questões atuais.
Durante a conversa, intermediada por Júlio Diniz e Victor Loureiro, os músicos falaram sobre como iniciaram suas carreiras e sonhos. Martinho da Vila revelou que não tinha planejado ser cantor e sempre sonhara em ver suas músicas sendo interpretadas por grandes nomes. “Minha primeira apresentação foi em um festival. A música composta por mim ia ser interpretada por Jamelão, ele não pôde comparecer, e aí não teve jeito, eu tive que cantar, e dali pra frente as coisas foram acontecendo, sem muito planejamento, como tinham que ser, e também foi assim que gravei meu primeiro disco como cantor e compositor, um dos mais vendidos, e até hoje está dando certo”.
Já Toni Garrido explicou que sempre foi determinado e correu atrás dos sonhos. Contou que sempre sonhou em fazer carreira na música e interpretar “Orfeu”. Disse que entrou na equipe do filme pensando em desempenhar qualquer tipo de função, e foi com alegria que acabou recebendo o convite de Cacá Diegues para fazer o papel principal. Falou sobre a necessidade de valorização da cultura afro-brasileira e indígena e sobre o perigo do lixo atômico, “que hoje a indústria nuclear mundial já está enviando para ser guardado em países da África, já que não existe uma destinação final segura para ele”.