O prefeito de Angra, Tuca Jordão, participou nesta quinta-feira, dia 7, da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Angra dos Reis. Ele esteve no município para a cerimônia de batismo do navio-plataforma P-57, da Petrobras, realizada no estaleiro BrasFells. Está foi a sexta visita de Lula ao município (cinco como presidente e uma durante sua campanha à presidência em 2002). O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, o governador do Espirito Santo, Paulo Hartung, e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, também participaram.
A cerimônia começou durante a manhã e terminou por volta das 14h. Foram convidadas cerca de oito mil pessoas, entre operários do estaleiro angrense, lideranças empresariais e sociais, políticos e jornalistas. Lula e as autoridades posaram para várias fotos com os operários, visitaram as instalações da P-57 e depois se dirigiram ao palanque.
Os pronunciamentos ressaltaram o resgate da indústria brasileira feito pelo governo Lula, principalmente nos setores metalúrgico, siderúrgico e naval, a capacidade do trabalhador brasileiro e o potencial de sua mão-de-obra. O prefeito parabenizou o presidente e sua gestão, e ressaltou a importância do estaleiro como gerador de empregos em Angra.
– Que esse estaleiro, hoje com mais de sete mil trabalhadores, possa se multiplicar daqui para frente e gerar mais renda, mais empregos, mais plataformas para nossa Petrobras. Para que você, trabalhador, tenha a garantia de seu emprego e sua dignidade – disse Tuca aos funcionários da BrasFells.
O presidente Lula afirmou que em seus oito anos de governo a produção nacional foi valorizada. Lula disse que, só no setor metalúrgico, recuperou 600 mil postos de trabalho. O presidente fez comparações entre sua gestão e as anteriores, que, segundo ele, preferiram produzir no exterior, atrofiando a indústria nacional. Lula citou como exemplo o estaleiro angrense, que teve um período próspero na década de 70, entrou em declínio gerando desemprego nas décadas seguintes, e foi revitalizado durante seu governo.
– Quando nós compramos a briga para voltar a construir plataformas e navios no Rio de Janeiro, não era porque não queríamos que trabalhadores de outros países produzissem o que queremos aqui. É porque um país que não exercita a capacidade intelectual de seu povo, que não exercita a capacidade intelectual de sua gente, é um país que começa a ser tratado como insignificante. O país foi se autodestruindo e trabalhadores especializados aqui de Angra dos Reis, ao invés de estarem construindo navios ou plataformas, estavam vendendo cerveja em isopor nas praias – explicou. – Nosso papel era recuperar a dignidade de quem já havia tido dignidade, recuperar a capacidade de produzir de que já tinha produzido – completou.
Sérgio Cabral, em seu discurso, ratificou o do presidente. Ele citou grandes investimentos que estão sendo feitos no Estado do Rio de Janeiro, como o Complexo Petroquímico de Itaboraí (Comperj) e o Porto do Açu, no Norte Fluminense, exemplificando o que chamou de “conjunto de investimentos inacreditáveis”. Cabral citou uma nova siderúrgica, no município de Itaguaí, como parte desse conjunto de investimentos.
– Desde 1981 que o Brasil não construía uma siderúrgica. Para você medir o crescimento de um país, tem que se medir o que ele produz e consome de aço. O Brasil passou 30 sem construir uma siderúrgica nova. Precisou vir um companheiro de vocês, um metalúrgico, à presidência da república, para o Brasil voltar a produzir aço aqui na nossa terra, no nosso Rio de Janeiro – ressaltou o governador.
Lula encerrou sua fala em tom emotivo, e também de despedida, devido ao fim de seu mandato. Mas transmitindo esperança aos trabalhadores angrenses.
– Vocês, daqui de Angra, não tenham medo não. Pois aqui foi o começo de tudo. Foi daqui que nós tiramos a ideia de que poderíamos recuperar a indústria naval brasileira. A Petrobras tem 224 bilhões de dólares para investir até 2014. Então vamos ter muitos navios e muitas plataformas – garantiu.
– Eu não venho mais aqui até o dia 31 de dezembro, então eu quero me despedir de vocês. E lembro a vocês que o legado que quero deixar é a certeza de que não existe um ser humano inferior ao outro e que todos nós temos competência desde que tenhamos oportunidade de fazer as coisas – disse Lula, que prosseguiu usando sua experiência como exemplo: – E eu sei que o grande legado que vou deixar é o de ter despertado na cabeça de cada mulher e de cada homem deste país que se eu pude ser presidente da república e fazer o que fiz pelo Brasil, significa que qualquer um de vocês pode ser presidente, governador ou prefeito – Assim, Lula despediu-se.
P-57
A plataforma P-57, do tipo FPSO (sigla em inglês para unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de óleo), irá operar no campo de Jubarte, na porção capixaba da Bacia de Campos, a 80 km da costa do Espírito Santo. Ancorada a uma profundidade de 1.260 metros, ela produzirá óleo de 17 graus API (medida de densidade de petróleo) e terá capacidade para processar diariamente até 180 mil barris de petróleo e 2 milhões de metros cúbicos de gás.
A Petrobras anunciou um investimento de US$ 1,2 bilhão para a construção da P-57. De acordo com a estatal, 68% do material utilizado na construção é brasileiro. Ainda de acordo com a empresa, com a nova unidade de exploração, o Estado do Espírito Santo terá, em 2015, uma produção em torno de 500 mil barris/dia (atualmente, 200 mil barris diários são produzidos naquele estado). A plataforma começa a operar ainda neste ano e o pico de produção deverá ser atingido até o início de 2012.
Rennê de Carvalho, viúva de Apolônio Pinto de Carvalho, foi a madrinha de batismo da P-57. Os filhos de Apolônio estavam presentes na cerimônia. Apolônio de Carvalho foi militar e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Fez parte do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e da Aliança Nacional Libertadora (ANL), lutando contra a ditadura militar no Brasil. Apolônio também teve participação na Guerra Civil Espanhola e na resistência francesa, ambas contra regimes fascistas. É ele quem dá nome à embarcação. Em um vídeo, Rennê falou sobre a emoção da homenagem.
– Me enche de orgulho. Não merecia tanto. Por isso devo compartilhar esse momento com Apolônio, que lutou tanto pela democracia, liberdade e desenvolvimento do Brasil – disse ela.
Deputados, senadores e demais autoridades dos governos federal, estadual e municipal, diretores da Petrobras e da Keppel Fells, além de líderes sindicais também participaram da cerimônia.